Parlamentares e representantes de atiradores relatam paralisação em transferências após migração do sistema do Exército para a PF.
Em audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, 05/05/2026 – 14:16, parlamentares e representantes de associações de atiradores reclamaram de atrasos nas transferências de armas entre cidadãos após a mudança do controle do acervo do Exército para a Polícia Federal. Segundo os participantes, a transição entre os sistemas provocou “vácuo operacional” e prejudicou negócios jurídicos lícitos.
Mudança de controle e sistemas
O debate se concentrou na transferência da fiscalização de colecionadores, atiradores e caçadores, os CACs, do sistema SisGCorp do Exército para o sistema Sinarm da Polícia Federal. O deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT), idealizador da audiência, afirmou que a passagem não foi acompanhada pela implantação imediata de um sistema substituto. “Houve a suspensão do serviço sem que fosse implementado um sistema substituto dentro do Sinarm, o que gerou paralisação de negócios jurídicos lícitos, desvalorização patrimonial dos acervos e insegurança jurídica”, disse o parlamentar.
Posição da Polícia Federal
O coordenador-geral de Controle de Armas de Fogo da Polícia Federal, Wellington Clay, negou a interrupção total dos serviços e informou que o órgão tem adotado o atendimento por e-mail para registrar a passagem de propriedade. “As transferências devem estar correndo normalmente, conforme publicado no site da Polícia Federal. Muitas vezes, o atraso é por uma interpretação equivocada do policial da ponta, o que é facilmente corrigido por nós no órgão central”, explicou.
Clay também anunciou que um novo portal está em fase de testes e que o sistema deve integrar inteligência artificial para acelerar processos. “Desenvolvemos um novo sistema com atestados e análise documental por IA, reduzindo o trabalho manual em cerca de 80%. O primeiro Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) de teste foi emitido no sábado (2), por mim”, informou o delegado.
Reclamações dos CACs e impacto econômico
Representantes dos CACs mantiveram o relato de falhas operacionais. O presidente da Associação Nacional de Atiradores (Anacac), José Luiz de Sanctes, afirmou que existem reclamações em outros estados sobre a transferência de armas entre CACs e que é necessário que o novo sistema atenda à demanda. O deputado Capitão Alden (PL-BA) destacou o reflexo econômico: “O setor tem sofrido perdas, não só com o fechamento de clubes e empresas, mas também com empregos que deixam de ser gerados”, afirmou. “Merecemos um sistema que funcione e dê garantia jurídica para exercer a atividade.”
Vencimento e renovação de certificados
A reunião também abordou o vencimento, em julho de 2026, de Certificados de Registro de Armas de Fogo. A Polícia Federal informou que a renovação será escalonada pelo mês de aniversário do portador para evitar acúmulo de pedidos.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Marcelo Oliveira
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